Sinto falta dos teus dedos quando percorriam minhas costas, do nosso silêncio, ali deitados, enquanto eu de bruços e tu de lado, os olhos se encaixavam e contavam histórias mudas como se não fosse apenas uma noite e ali houvesse anos de cumplicidade. Então, de repente eu acordo, e aquele lugar tá vazio.
Nós cedemos, eu me cedi e não consenti com tudo que foi acontecendo, no fim, me abreviei, me epiloguei no silêncio dos livros e dali tentei te esquecer e conquistar o mundo. Aqui acabei criando um lugar que tu não cabes, eu me destrincho, e nós não combinamos, não seguimos os mesmos ideais, e não obstante, tu partes para a esquerda e eu vou para o meu contrário, onde que pra mim, é melhor.
Nós realmente não conseguimos mudar completamente; e minha essência ainda te observa, quieta. Nossos opostos montam tua personalidade, a mesma que me desmontou tantas vezes, e me armou, desarmou, amarrou e amei. Talvez eu não consiga barganhar com mais ninguém, o que por ti dediquei e entreguei, não fui apenas corpo, fui eu em tempo integral me integrei teu jogo e aprendi teus vícios. Como teu lance era baixo, e eu também. Nessa rasteira, tudo terminava no chão, assim como nossas caras, cartas e roupas.
Teus beijos nunca eram os mesmos e tinham gosto de outras bocas, teus toques sabiam onde chegar como se fosse usual deslizar em outros corpos, e eu sempre tentando esquivar-me dessa tua destreza cafajeste que me arrebatava, e arrebentava. Embora, com todas tuas dualidades, teu olhar ainda era o mesmo aquele que implorava por afeto e tinha medo de ficar sozinho, que zombava das gurias, porém não vivia sem elas.
Ah, no teu jogo eu aprendi que de todas das quimeras a maior delas é sentir-se única, e que tu me deixaste sem razão e vontade para ficar.

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